Segue abaixo uma breve ‘reflexão teológica’ sobre a graça, que eu e meu parceiro de seminário Daniel Grubba tivemos.
Apesar de ser um assunto ‘simples’, ele ainda causa muitas divergências de pensamentos. Por isso, não apresento aqui um estudo sistemático, e muito menos exaustivo, sobre o assunto. Mas, uma simples reflexão saudável daquilo que venho a ser a mais bela notícia do universo, que Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores, nos dando assim – de graça – a reconciliação com Deus.¹
A reflexão continua, fique a vontade de deixar seu ponto de vista nos comentários.
Que Deus os abençoe, e boa leitura!
Em Cristo,
L. S. Garcia
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Daniel: Infelizmente muitos escapam do legalismo para abraçar uma graça barata. Oh! Quão maravilhosa é a graça preciosa e como são poucos os que a amam!
Eu: Logo, a graça cara - como diria Dietrich Bonhoeffer ² - seria o meio termo para ambos os extremos?
Daniel: Não me recordo de Bonhoeffer ter usado o termo "graça cara". Entendo que no contexto do livro 'Discipulado' ³ a "graça preciosa" é justamente o meio termo entre aquilo que ele denuncia como extremos, a saber: o fardo pesado e opressivo da religião (legalismo) e a graça barata (a pregação do perdão sem arrependimento, batismo sem a disciplina, Ceia do Senhor sem confissão, absolvição sem confissão pessoal, graça sem discipulado, graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo).
Daniel: Se bem que Bonhoeffer enfatiza o fato de que a graça não custou nada para nós, mas para Deus custou caro - a vida de seu próprio Filho.
Eu: Boa. Na verdade a melhor tradução seria 'costly grace', que esse é o termo que ele usa em seu livro, ou seja, deve existir uma correspondência nossa, existe um 'custo' (não apenas na resposta ao chamado da cruz, mas também no processo de santificação e de discipulado). Errado pensar que, sim, esse 'custo' não nos dá o direito de reivindicar ou alcançar (por méritos próprios) algum favor de Deus, no entanto, sem ele também não temos muitas escolhas. O que, aliás, é um excelente exemplo de paradoxo. Por essa razão muitos se extremam no legalismo.
Eu: Creio, no entanto, que a graça é de fato preciosíssima (logo, cara pois não há espaço para brincadeira)! E uma vez que o amor de Cristo (que teve um custo caríssimo) nos encontra, todo o 'custo' resultante do processo, seja desde a resposta ao chamado ao caminho a ser percorrido, apesar de ser uma constante 'luta', o seu fardo é leve. Dessa forma, nossa 'jornada de fé' dentro dessa terminologia de 'graça custosa' e outros, se torna tão normal quanto o respirar.
Daniel: Tenho refletido muito nestes dias sobre esta graça que não somente nos salva de nossas misérias e rebeldias, mas também nos capacita para seguirmos o chamado da cruz com empenho e alegria. Em especial, nesta semana meditei muito com John Piper sobre a "luta pela alegria em Deus" a luz do texto de II Pe 1 onde diz que devemos lutar para acrescentar a nossa fé toda a sorte de virtudes, a fim de "não sermos inoperantes e improdutivos, esquecendo da purificação dos antigos pecados". Isto é, a graça é oposta ao mérito, mas não ao esforço (Pedro diz: Empenhem-se, lutem!). A graça barata, ao contrário, prega que a "graça faz tudo sozinha", e assim no fim, tudo fica como está: "o mundo continua sendo mundo, e nós continuamos sendo pecadores" (Bonhoeffer).
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¹ Romanos 5
² Dietrich Bonhoeffer foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista.
³ Uma das obras mais famosas de Bonhoeffer
muito bom este assunto sobre a graça
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