
Nesse último final de semana eu e minha esposa tivemos o prazer, ou melhor, o desprazer de visitarmos uma igreja neopentecostal em Guaratuba. Detalhe: ficamos sabendo que era neopentecostal apenas quando chegamos no local. A princípio estávamos um pouco relutantes em ir, afinal, estávamos curtindo nossos últimos dias de folga (ministério, seminário, trabalho...) no litoral, e o pôr-do-sol estava maravilhoso aquela tarde. Mas, decidimos nos “alimentar” espiritualmente – grande engano nosso.
A título de curiosidade, o movimento neopentecostal é recente no Brasil e fazem parte de sua denominação igrejas como Universal, Mundial e Internacional – entenderam agora o problema? O movimento apesar de ser derivado do pentecostalismo, a sua teologia grita por uma identidade distinta, por isso neo (novo).
Enfim, chegamos na igreja! Como toda igreja pequena de bairro, fomos muito bem acolhidos – tenho que confessar que eles são muito bons nisso – pegaram nossos nomes, nos cumprimentaram etc. O local apesar de pequeno era muito bem arrumado e confortável, com televisores de LCD, bons instrumentos, caixas de som, e tudo mais.
O problema realmente começou quando pegaram o microfone, daí para frente foram duas horas de algo chamado “cristianismo” que estou tentando entender até agora. Por favor, me ajudem!
O louvor, quanto egocentrismo! Eu quero, quero, quero! Me dá, dá, dá! Quantos jargões evangélicos: Quero ser como Naamã, águas profundas, vencer Golias, poder... Porém, a essência de nossa adoração – Jesus, O Cristo – infelizmente, dever ter ficado batendo na porta. O único momento que ouvi Seu nome – durante esse período de louvor – foi quando pediram para que sentássemos, ironicamente.
A hora do dízimo, fiquei surpreso quando o presbítero gastou ao menos 40 minutos para falar da importância de sermos “dizimistas”, de todas as promessas que seriam derramadas, as bênçãos, portas abertas – ou seja, como apertar o botão vermelho para Deus acordar lá do céu. Sem contar os inúmeros abusos contra a palavra do Senhor, quantos versículos usados de forma leviana e fora do contexto. O Presbítero até arriscou fazer uma exegese de duas palavras do hebraico para o português, mas, que triste. Qualquer um que tivesse o mínimo de conhecimento de hebraico, que, aliás, não era o seu caso, teria achado um absurdo a forma como ele usou aquelas traduções. Mas, o pior de tudo isso foi colocar na boca de Jesus, o que foi dito pelo o profeta Oséias, “O meu povo foi destruído por falta de conhecimento”. E infelizmente o povo ainda está sendo destruído por falta de conhecimento, a começar pelos líderes dessa igreja.
Pensei que essa seria a pregação da noite, grande engano meu... O pior ainda estava por vir!
Quando o pastor principal subiu, meus ouvidos já estavam doendo, pois sentamos ao lado da saída de som. Sinto que nesses tipos de igreja a verdadeira espiritualidade consiste em saber gritar mais alto, mesclando com algumas línguas “misteriosas” e soltando uma voz de choro esporadicamente. Mas, damos um desconto, quem sabe ao abrir a bíblia esse homem seja um excelente pregador. Enganamos-nos novamente.
Como todo bom pregador neo-pentecostal, Davi é sempre o nosso maior exemplo a ser seguido. Dessa forma o texto escolhido foi 1 Crônicas 17:7-8. Mas que desastre! Quanto desrespeito pela palavra. Esses dois versículos foram só um pretexto para o pregador usar e abusar de temas como: Vitória, Riqueza, Sermos cabeça e não cauda, Lutarmos para sermos o primeiro, etc. Me pergunto se ele tivesse lido qualquer outros versículo de sua “caixinha de promessas” a pregação teria sido diferente. Creio que não.
A pregação acabou – Ufa! – mas, o que mais me entristeceu não foi apenas o louvor, a pregação abusiva do dízimo, os gritos, não! O Pastor em nenhum momento mencionou o NOME DE JESUS! Como isso doeu! E para finalizar sua mensagem – se assim puder ser considerada – ele teve a cara-de-pau de fazer um apelo! Eu pensei: Só falta ele pedi para aceitarem a Davi como Senhor e Salvador, mas, pelo menos algo de bom. Mesmo assim não conseguia entender uma coisa: Que Jesus alguém ali dentro poderia “aceitar” sendo que a única vez que Seu nome foi mencionado foi na hora de sentarmos?? Eu queria gritar, chorar, pegar o pastor pela gravata, não sei, mas isso não poderia estar acontecendo dentro de uma igreja “cristã”!!
Senti-me um peixe fora d’água. Sabia que a coisa por ai estava ruim, mas, não imaginava quão ruim estava... Eu poderia continuar mencionando atrocidades e mais atrocidades, mas, basta! A história se repete cada vez que ligo a televisão nos horários “evangélicos” da Record, Gazeta, Canal 21, e por ai segue a lista.
Minha indignação não é contra os irmãos daquela congregação, aliás, tenho certeza que muitos ali se preocupam com o verdadeiro evangelho, porém, infelizmente tornam-se cegos com todo o julgo que seus líderes colocam sobre seus ombros. Minha indignação é contra líderes vestidos como ovelhas, mas, que interiormente são lobos devoradores. Que devoram cada centavo e cada raciocínio de suas ovelhas, que jogam fora mais de dois mil anos de cristianismo, e que excluem Jesus Cristo do centro de suas vidas, famílias, igrejas, e o deixam ainda batendo na porta, do lado de fora!
Se me perguntarem para onde irá a igreja, tenho medo e uma única certeza: Uma nova reforma é para ontem!
Sola Gratia, Sola Scriptura, Sola Fide, e Solus Christus.
Soli Deo Gloria,
Leo